Bendita é você entre as mulheres, e bendito é o filho que você dará à luz! (Lucas 1.42)

Pouco tempo depois que Maria conversou com o anjo Gabriel, ela viajou para se encontrar com sua parente, Isabel. Esta havia sido estéril (Lucas 1.7), mas agora, por um milagre, esperava um bebê bastante especial.

Neste encontro singular, assim que Isabel recebeu as saudações de Maria, que havia acabado de entrar em sua casa, ela percebeu que o bebê se agitou em seu ventre. João, nome que receberia sua criança, futuramente conhecido como Batista, era aquele que iria adiante, precederia o Messias e prepararia Seu caminho (Lucas 1.17,76). É interessante notar que já no ventre materno, João Batista anunciava a presença do Messias, cumprindo, desde então, seu ministério.

Logo depois que o bebê se mexeu, Lucas relata que Isabel ficou cheia do Espírito Santo (Lucas 1.41). Em outras palavras, Isabel estava sob a influência do próprio Deus. Isso não significa que Isabel estava possessa pelo Espírito Santo, tampouco que ela estava numa espécie de êxtase ou frenesi. A expressão cheia do Espírito Santo quer dizer que Isabel tinha sua mente, suas palavras e ações completamente guiadas por Deus. É nesta condição, que engloba o físico, o psíquico e o espiritual, que Isabel diz a Maria: bendita é você entre as mulheres!

Ser bendito no contexto bíblico é mais do que ser alguém de boa fama, sobre quem se diz boas coisas, ou seja, uma pessoa bem falada. Chamar alguém de bendito era reconhecer o estado privilegiado de tal pessoa perante Deus. É comum e correto dizer que bendito é sinônimo de abençoado.

Além do mais, considero interessante destacar que, ainda que Maria fosse bendita e exemplar, ela não era essencialmente melhor do que qualquer outra mulher. As palavras de Isabel confirmam: bendita é você entre as mulheres, disse ela, e não sobre as mulheres (grifo meu). Maria, como serva declarada do Senhor, nunca buscou glória para si. Pelo contrário, sempre deu toda honra exclusivamente a quem dela é digno.

Isabel, cheia do Espírito Santo, além de dizer que Maria era bendita, disse também que o filho de Maria era bendito. O apóstolo Paulo, cerca de 65 anos depois, ciente do quanto Jesus era abençoado, escreveu:

Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação, pois nele foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos ou soberanias, poderes ou autoridades; todas as coisas foram criadas por ele e para ele. Ele é antes de todas as coisas, e nele tudo subsiste. Ele é a cabeça do corpo, que é a igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a supremacia. Pois foi do agrado de Deus que nele habitasse toda a plenitude, e por meio dele reconciliasse consigo todas as coisas, tanto as que estão na terra quanto as que estão no céu, estabelecendo a paz pelo seu sangue derramado na cruz. (Colossenses 1.15-20)

Embora fossem ambos benditos, havia uma infinita diferença entre eles. O Filho é a imagem de Deus. O Filho havia criado tudo. O Filho era e é o instrumento divino que traz a paz entre os homens e Deus. O Filho, segundo Suas próprias palavras, é o caminho, a verdade e a vida (João 14.6a). É somente através dEle que o homem pode se relacionar com Deus. Jesus disse: Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim (João 14.6b).

O verdadeiro Natal tem Jesus como o alvo correto de celebração. Não são raras as vezes que depositamos nossa alegria natalina em alvos errados: a magia do Papai Noel, a cintilante Árvore de Natal ou a saborosa ceia ao lado de pessoas queridas. Estes elementos culturais do nosso Natal não são pecaminosos, mas têm grande poder de nos distrair daquilo que é fundamental.

Espero que todos nós sejamos como a bendita Maria, que celebrou o Natal original com foco e zelo em seu bendito filho, Jesus Cristo.

UMA ORAÇÃO:

“Senhor Deus, o brilho e as cores do meu Natal não têm sido por causa de Jesus. No entanto desejo colocar a casa em ordem e, para isso, preciso de sua ajuda. Quero que a alegria deste Natal seja ainda maior com a clara presença de Jesus Cristo. Amém.”

Este texto é Capítulo 6 do devocional “O Natal Verdadeiro – 12 Reflexões Bíblicas e Natalinas segundo o evangelho de Lucas“, criado por Thiago Zambelli, e publicado originalmente em www.nataldeverdade.com.br. Compartilhado com a devida autorização do autor.

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